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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Equipamentos de escuta são encontrados na Assembleia do PR

Folha.com

Peritos encontraram na manhã deste sábado (5) equipamentos de escuta na Assembleia Legislativa do Paraná. Um deles estava instalado numa sala de reuniões usada pela presidência da Casa.

O presidente da Assembleia, Valdir Rossoni (PSDB), afirma que os equipamentos eram novos e foram instalados para espionar sua gestão. Rossoni assumiu o cargo na terça-feira (1).

Uma de suas primeiras medidas foi pedir para a Polícia Militar ocupar a Casa, após a nova administração ter supostamente recebido ameaças de funcionários comissionados que tinham sido exonerados.

Um dos peritos afirmou que alguns dos aparelhos, de origem israelense, eram de última geração. As escutas funcionavam com microfones de indução e eram acionadas com qualquer ruído feito nas salas. Um dos aparelhos foi avaliado em pelo menos R$ 20 mil.

Segundo o presidente, os peritos avaliam que as escutas foram instaladas há pelo menos um mês. Elas foram encontradas dentro do reboco de uma das salas e em luminárias. Até o momento, apenas os gabinetes da presidência e do primeiro secretário foram inspecionados.

A inspeção está sendo feita por peritos de uma empresa de segurança privada.

"Sabiam que íamos assumir a Assembleia. Queriam nos fazer prisioneiros. Não acredito que a coisa toda chegou a esse ponto", disse o presidente, que não especificou quem pode ter instalado os equipamentos.

Ao longo da semana, Rossoni afirmou que uma "quadrilha" de funcionários estava instalada na Assembleia e intimidava deputados e diretores da Casa.

O deputado diz que mandou fazer a varredura por recomendação da polícia, que assumiu a segurança da Casa na terça-feira, após cerca de cem PMs ocuparem a Assembleia.

Rossoni afirmou que vai entregar os equipamentos à Polícia Civil e que pretende acionar a Polícia Federal para investigar o caso. Ele afirma que os peritos ainda vão analisar as centrais telefônicas da Casa para detectar se as linhas estão grampeadas.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

QUEM MATOU OS AGENTES FEDERAIS NO RIO SOLIMÕES


É madrugada no Rio Solimões. A escuridão e o silêncio são rompidos só pelo barulho de dois barcos com policiais federais que cortam as águas do rio na busca por traficantes de cocaína.  Os barcos usados pelos policiais não são apropriados para o enfrentamento. Um é uma lancha apreendida com traficantes; outro é uma lancha da própria PF que, como tantas, é um arremedo de embarcação. Mas não importa, na cabeça daqueles policiais só há um pensamento: interceptar os traficantes e evitar que a cocaína chegue ao seu destino final.
 O desfecho está próximo.
 Mas antes do final é preciso falar sobre dois guerreiros que estão embarcados e atentos aos movimentos no Rio.  Os agentes federais Leonardo Matzunaga Yamaguti e Mauro Lobo são de gerações diferentes. O primeiro na PF há 4 meses está realizando o sonho de se transformar em policial federal. O outro, na PF há mais de uma década, é exemplo e uma referência para todos que o conhecem. Em comum entre esses dois homens a vocação para estar na primeira linha, longe dos gabinetes cheios de papéis inúteis.
 Mas a história segue e esses dois homens em breve se tornarão vítimas da Polícia que tanto se orgulham de levar no peito.

O barulho do motor de um barco se aproxima rapidamente fazendo com os policiais redobrem a atenção. Podem ser os traficantes. A informação é que este possa ser um grande carregamento de cocaína e ele não pode seguir.

Os policiais visualizam o barco que desce o Rio carregado. Há homens dentro, mas é noite. E noite no Amazonas é escura. O barco suspeito vai ser abordado, mas antes disso um barulho no motor é o sinal que os suspeitos estão mudando o curso para fugir. Rapidamente a lancha ruma para a margem para escapar dos homens de preto.
 Os federais não desistem. Rumam na direção dos suspeitos em seus barcos improvisados. Sim, são os traficantes. Um grupo de criminosos ganha a margem e avança rumo a um barranco. Os policiais miram a luz de um holofote, também improvisado para os criminosos. A abordagem está próxima do fim.
 Os bandidos que chegaram às margens estão com fuzis e guiados pelos holofotes do barco dos policiais atiram sem pena. A adrenalina no barco é intensa. Os federais respondem aos disparos. Os colegas da outra lancha também, mas os traficantes estão em vantagem. Com armas mais potentes que a dos federais, atiram de cima do barranco para baixo. O guerreiro Matzunaga é atingido e cai dentro do barco. Lobo vê o colega e continua a atirar contra os bandidos. Numa fração de segundo um tiro atinge seu peito e ele cai sangrando. O agente Charles Nascimento, que também está no barco, sente um impacto na cabeça. É um tiro que pegou de raspão. Outro disparo do fuzil dos traficantes atinge sua perna e ele cai ao lado dos irmãos que já estão mortos no barco.

Os federais continuam atirando e os traficantes covardes fogem.
 Amanhece e a informação sobre a morte dos policiais começa a chegar às delegacias e Superintendências. Em Manaus os policiais, ainda chocados, começam a montar a logística para o transporte dos corpos e do colega ferido e também se organizar para sair na busca dos criminosos.
 Aos poucos um misto de tristeza e revolta alcança os policiais. O risco é inerente à atividade policial, mas na Amazônia e em outros estados do Brasil esse risco é potencializado por uma polícia de faz de conta,  incapaz de oferecer às mínimas condições de trabalho para os federais.
 São lanchas inapropriadas para o combate, armamento insuficiente, falta de gasolina para embarcações, coletes vencidos e figuras,  cujo único trabalho é fazer inquéritos,  querendo comandar ações operacionais.
 Prova disso é a declaração do Superintendente Regional do Amazonas, delegado Sérgio Fontes,  que chegou às  lágrimas falando dos colegas mortos Ele não explicou porque os policiais não têm o equipamento adequado para enfrentar o crime. Só para constar:  O delegado tem  um dos maiores índices de rejeição no plebiscito feito pela Fenapef.
 Em Brasília não foi diferente na página do DPF nenhuma nota falando do assassinato dos colegas. Da boca do DG nenhum palavra que indicasse que haverá mudanças na forma como a PF vem conduzindo sua gestão,  priorizando a burocracia do IPL e deixando os policiais de verdade a mercê de sua sorte. O DG tem mais de 80% de rejeição na categoria.
 A Fenapef denunciou, os sindicatos avisaram, os policiais também, mas o diretor-geral e seu fiel escudeiro no Amazonas nada fizeram. Agora duas famílias choram seus mortos e a sociedade tem menos dois policiais para combater o crime.
 A Fenapef e aos policiais cabe não deixar ninguém esquecer o que aconteceu na madrugada do rio Solimões com dois homens de valor. Vamos ao MPF, à OAB, ao Parlamento e aonde for necessário para buscar providências e estaremos aqui, como sempre estivemos,  lutando para que tenhamos uma Polícia Federal que não atente contra seus próprios policiais.
Fonte: Agência Fenape

NOTA: Título original: "A história de dois homens de valor"